Set 26

Não foi ontem, foi na outra quarta. Retomámos o velho hábito das sessões de cinema da meia-noite. Eramos cinco e as opções eram poucas, mas um de nós estava decididíssimo a ver a Viagem ao Centro da Terra, em 3D com umas lunetas chispêtêó. Não é que tenha alguma coisa contra filmes em 3D, mas a Viagem ao Centro da Terra não é filme que capte a minha atenção, ainda para mais quando o bilhete custa mais um euro e meio. Enfim, depois de muita luta, o grupo separou-se. Nada de novo, estamos sempre a fazer isso. Dois lá foram ver essa coisa em três dimensões (ouvi dizer posteriormente que apanharam uns cagaços com os efeitos) e os outros três, grupo no qual me incluo, foi ver um… digamos… hum… aquilo que muita gente qualificou de filme do Verão. Filme habitualmente para gajas, com muito amor, muitas mariquices e ainda para mais… um musical. Exactamente. Mamma Mia. Meus amigos, digam o que disserem, o filme está engraçado e vê-se muito bem. Quanto mais não fosse valeria sempre a pena pela beleza da Amanda Seyfried. Tem cá uns olhos! Enfim, foi uma boa sessão de cinema.

Em jeito de conclusão, quero só lamentar que os senhores da ZON Lusomundo (decididamente já são muitas referências a estes senhores) tenham tido a brilhante ideia de só fazer sessões da tarde do WALL-E!

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Ago 4

Parece estar a tornar-se um novo hábito. As sessões da meia-noite de quarta-feira subvertidas e transformadas em banalíssimas sessões de domingo à noite. Tempos de Verão, dirão alguns. Hoje voltou a acontecer. Qual o alvo? A Múmia. Ah e tal vamos todos, vai ser giro e o camandro. Conclusão: três a ver a Múmia, três a ver um terror qualquer e quatro a ver o Batman (falharam as anteriores oportunidades).

Novamente a companhia mostrou-se excelente, muito embora a minha cabeça estivesse um bocado a leste grande parte do filme. É verdade. Estava distraido. Mas eu sou como o meu pai quando dorme: sempre um olho nos acontecimentos. Acompanhei o filme.

O terceiro capítulo da saga desiludiu um pouco. Dois episódios no Egipto e depois somos levados abruta e descaradamente para a China, aquele exemplo mundial de gestão de população. Diria que muito embora tenha gostado dos dois primeiros, a verdade é que não me marcaram o suficiente para agora poder fazer uma comparação objectiva com este novo filme. As paisagens são bonitas, os actores são bons e quem tratou da parte humoristica fez bem o seu papel, pois é fácil soltar umas boas gargalhadas ao longo do filme. Uns esqueletos manetas a saltarem de alegria pela vitória proporcionam um bom riso. Adiante… ainda estou para perceber (e não falando aqui só deste filme) como é que se pode lançar um filme trocando um actor, que faz uma personagem, por outro. A sério. O único exemplo credível do contrário em toda a história do cinema deverá ser o James Bond. Mas adiante também. Boas cenas de acção, só que mesmo com um Jet Li em grande e duas actrizes asiáticas muitíssimo belas, não me consigo adaptar a cinema oriental. É aqui que me devem perdoar o Aniki e o Kid Sundance, mas azar.

Não consigo, em boa verdade, afirmar se valeu o investimento. Diria que já vi pior. Se fosse no Egipto tinha mais graça.

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Jul 31

BattmanSessão da meia-noite de quarta-feira. Mas… não! A rotina foi quebrada e soube tão bem! Realmente já me haviam avisado que esta quarta-feira o eleito seria o novo Batman, mas um convite de última hora nunca se recusa e acabei por ir vê-lo no domingo à noite. Eu que nem sou muito dado a cinema ao domingo, cedi (ou acedi) ao convite, por vir de quem veio e porque sabia que a companhia iria ser boa.

Adiante, para o nosso relatório semanal isto pouco importa. Troquem “sessão da meia-noite de quarta-feira” por “sessão das nove e meia de domingo” e o resto é tudo igual.

Em relação ao filme… eu confesso que não sou muito dado esses grandes blockbusters do cinema americano. Hulk, Spiderman, Superman e outros do género não me dizem nada. Geralmente costumo ir ver para não ser desmancha-prazeres mas não faço questão. Mas como, tal como referi há pouco, o convite era especial, fui ver. Mas sempre com aquele “desinteresse monótono” em jeito de expectativa. Puro engano.

O filme é bom. Já havia gostado do primeiro Batman (enfim, o Begins) e este conseguiu superar. Falava-se muito do papel do Joker, que como sabemos é interpretado por Heath Ledger, o actor que morreu após a gravação do filme. Acredito que muito do sucesso do filme tenha a ver com a curiosidade das pessoas em ver “o último” filme do Heath Ledger. Mas aí é que está. Parece que o actor adivinhou a coisa e “morreu em grande”. Como disse o filme é bom, mas vale quase exclusivamente pelo excelentíssimo papel do Joker. Que personagem incrível! Uma figura peculiar, com uma voz no timbre certo e entoação correcta, expressões faciais geniais e uma loucura fria invejável! Não digam mais nada… para mim o Joker leva nota 10. O resto, lá está, é o habitual show-off americano dos blockbusters mas este Batman está bem conseguido.

Fui vê-lo no domingo à noite muito bem acompanhado, mas também poderia ter ido vê-lo hoje. Não interessa. Quatro dos habituais lá foram, e com certeza gostaram. Não é? Para quebrar a rotina vim mais cedo para casa. Na próxima semana… who knows?

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Jul 24

HoudiniQuarta-feira, sessão da meia-noite, e por aí fora. Sem um dos habitués de peso destas sessões de cinema (para ele − que me lê, que eu sei estas coisas − um grande abraço), a escolha revelou-se um pouco difícil. Sem nada de jeito em cartaz (perdoem-me os metropolitanos mas Viseu não é Lisboa), a escolha iria forçosamente fazer-se entre dois filmes, já que os outros dois em cartaz já haviam sido vistos. Ou eram as Crónicas de Nárnia, ou era o Houdini. Pequeno senão: o Houdini acabava à 01:45 e as Crónicas só depois das três da manhã. Deixei logo o aviso: « Eu não quero sair daqui às três! ». E é verdade que ver as Crónicas de Nárnia não me diz grande coisa. Ainda se equacionou a hipótese de não ir ver nada. Ainda se equacionou a hipótese de alugar um filme e ir vê-lo no conforto de casa. Ainda se equacionou a hipótese de ir jogar bowling no novíssimo playcenter do shopping. Equacionou-se isso tudo, mas o Houdini (”O Último Grande Mágico” – “Death Defying Acts”) foi mais forte. Por entre mortos e feridos, safa-se o menos mau.

Lá fomos nós. Uma sala de 109 lugares vazia apenas com quatro marmanjos sentados na última fila antes dos lugares V.I.P.! Bonito, não é? Já agora deixem-me dizer, senhores ZON Lusomundo Palácio do Gelo, que uma cadeira vermelha em cabedal com um encosto para a cabeça não é propriamente o que eu qualificaria de “lugar VIP”, mas tudo bem, vocês lá sabem. Adiante.

Sobre o filme… Bem, sobre o filme, isto vai ter piada. Vocês não se aperceberam de nada, claro, mas eu escrevi um parágrafo inteirinho a dizer o que achei do filme e a falar do sr. Harry Houdini. Não vêm nada? É a magia do ilusionismo. Estivessem mais atentos.

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Jul 17

Cinema na sessão da meia-noite de quarta-feira. Previsível. Como já anteriormente havia dito, os eleitos para hoje seriam a Angelina Jolie e o Morgan Freeman. Até ontem estava entusiasmado em ver isto, mas ontem vi pedaços do trailer e o filme pareceu-me um bocado chocho. Do género… fantasia e show off a mais. Consequentemente entrei no cinema um bocado na espectativa. Eu que, habitualmente só levo 0,75cl de Coca-Cola e um pacote de Allegro comigo, hoje comprei pipocas para ajudar a passar o tempo. Vejam lá.

Puro engano! O filme tratou de me esbofetear de luva branca. Surpreendeu-me e deixou-me muito satisfeito. É verdade que é um filme de fantasia, tem muito show off, mas acho que conseguiu não cair nos clichés habituais (pelo menos tentou ao máximo) e conseguiu proporcionar uns efeitos especiais muito agradáveis.

WantedUm tipo completamente desconhecido, apático, com baixa auto-estima, perdido e negativista (ao ponto de pesquisar o nome dele no Google e este dar zero resultados) vê-se subitamente envolvido num mundo de serial killers. A conversa habitual: alguém limpa o cebo a um familiar nosso e sentimos sempre a necessidade de nos vingar e fazer justiça. Dito e feito, tratou logo de aprender com os melhores. Mas a velha máxima do costume volta à baila: inimigo do teu inimigo teu amigo é. É aqui que as surpresas põem tudo em causa e fazem-nos questionar uma data de coisas que até então pareciam óbvias e verdadeiras. Aprender com os melhores pode proporcionar um belo volte-face. A justiça acaba por se fazer e o perfeito desconhecido que subitamente ganhou uma vida, volta a perdê-la quase com a mesma facilidade.

Acabou por se revelar uma boa sessão de cinema. Na próxima semana não sei o que nos espera. Total surprise.

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Jul 10

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“The Story” de Brandi Carlile. Qual Whinehouse qual quê. Isto sim, é uma voz a sério!

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Jul 10

Sessão da meia-noite de quarta-feira. Era unânime desde a semana passada: hoje iríamos ver Hancock, o novo Will Smith. O grupo alargou-se e não tivemos direito à distribuição de lugares habitual, devido ao formato da sala, nem ao sossego habitual, devido às cinco ou seis pessoas que nos fizeram companhia. Não faz mal.

HancockJá se sabia: Will Smith é um super-herói. O oposto de todos os super-heróis a que estamos habituados, ainda assim. Associal, bêbado e arrogante. Bela composição, não acham? Bem ou mal lá encontra as pessoas certas que o ajudam (deveria falar no singular, mas pronto) a tornar-se mais popular.

Will Smith apresenta a classe habitual e Charlize Theron aparece deslumbrante. Eu francamente estava à espera de mais. Ou de menos, aliás. Dizia-se que este já tinha sido qualificado, nos Estados Unidos, de “filme do Verão” e dizia-se também que este super-herói não tinha nada a ver com os super-heróis que conhecemos. É verdade… Mas ninguém me avisou que faz exactamente o mesmo que o Super-Homem. O que eu queria era um super-herói mais discreto. Há um ingrediente que eu lhe tirava, mas não posso falar dele aqui senão estrago a surpresa a quem ainda quer ir ao cinema ver Hancock.

Para concluir, deixo-vos um ditado. Diz-se que “por detrás de cada homem está uma mulher” e este filme faz-lhe completamente jus. Os que viram entendem-me. Na próxima semana os premiados deverão ser a Angelina Jolie e o Morgan Freeman (”Wanted”).

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Jul 3

Sessão da meia-noite de quarta-feira. Once again. Houve uma inclinação inicial para ir ver outra coisa e The Happening soava definitivamente melhor. Pelo menos a mim. Mas as amizades e o facto de estarmos ali também para passar um bom momento em grupo levou-nos até à sala 5, onde minutos depois iria ser projectado o Nightwatching. “A Ronda da Noite”, em português. nightwatchingNão é que o filme tenha sido mau. Uma espécie de épico passado em 1642 onde um pintor contratado evidencia as malvadezes praticadas por uma determinada franja da sociedade através de uma pintura subtilmente denunciadora. A questão é que o filme durou cento e quarenta minutos e poucas foram as cenas de animação. Alguma violência, muita depravação, muita linguagem obscena e até nudez. Podia ser interessante retirar algumas ilações de Nightwatching, mas seguramente não numa sessão da meia-noite. Dos cinco, dois passaram pelas brasas por um bocado.

Ainda estávamos nós a vê-lo e já tinha saído de cartaz, dando lugar a outros. Para pena minha, saíu também The Happening. Na próxima semana é provável que as honras se façam a Will Smith (Hancock).

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Jun 26

21 - A Última CartadaSessão da meia-noite, quarta-feira. Mal ouvi qual era o filme (“A Última Cartada”, em português) e mal vi o cartaz percebi que o filme iria ser bom. Com o Kevin Spacey e o Laurence Fishburne só podia ser, e Kate Bosworth também se relevou ser uma bela cartada. Não é só por envolver uma equipa de áses e a história decorrer em Las Vegas que o filme se assimila em muito ao Ocean’s Eleven, que já tinha sido genial.

Ter uma mente brilhante e ser um geek ou nerd acontece regularmente. Ter uma mente muito brilhante e mesmo assim ser um geek é que não é tão comum. O cenário está plantado: Harvard, faculdade de medicina, bolsas, candidatos e testes de admissão. Este é o lado A da história. O lado B é bem mais elegante e bem mais sedutor: cartas, Blackjack e Las Vegas. Uma equipa “de crânios” boa a matemática e boa a inventar linguagens codificadas. O lado B da história encontra-se com o lado A. Aventurar-se no mundo do jogo para conseguir ter uma vida pacata na faculdade é tentador, tanto mais quando se é um génio e as coisas até podem não correr muito mal. Mas quando o nosso mentor se transforma no nosso inimigo, o nosso melhor amigo passa a ser o pior inimigo dele. E é assim que se resolve uma grande jogada em que a casa fica sempre a ganhar. It’s not always about luck, baby. But logic.

Houve quem tivesse desistido porque “este não era um filme para se ir ver ao cinema” e porque queria ir ver o novo Hulk. Amigo, o Hulk não sabe dar cartas, quanto mais jogar Blackjack!

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Jun 12

We own the NightSessão da meia-noite de quarta-feira. O filme era um daqueles que põe perante nós uma história aparentemente banal e já ultrabatida no cinema. Traficantes de droga com polícias a querer-lhes fazer a folha. Nada de novo. Renunciar à família para poder gozar a vida em toda a liberdade também não é novo e parece tentador. Numa família de polícias, gerir uma discoteca em Brooklin, ter uma bela namorada e ter uns bons relacionamentos no meio contribuem para isso. Aqui e ali lá se vai fechando os olhos a isto e aquilo. Até que a família a quem renunciámos e a vida rebelde que levamos se cruzam e tudo resulta numa grande embrulhada, com mortes à cabeça e cabeças a prémio. Mas os laços familiares falam sempre mais alto. Balearem o irmão e matarem o pai é que não. Não há traficante de droga que possa andar a passear de um lado para o outro sem que justiça seja feita. Afinal… não controlavam assim tanto a noite!

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