Realmente as aparências iludem. Ou nós é que nos precipitamos. Aquilo que à primeira vista é capaz de nos deitar abaixo (ou, não indo tão longe, simplesmente deixar uma ideia negativa), pode afinal de contas revelar-se ser apenas um… “mal-entendido”. Algo totalmente diferente e que nem sequer nos passou pela cabeça de tão submersos que estavamos naquela terrível ideia inicial. Afinal enganamos-nos. Afinal é só um susto. É o que dá viver e conviver demasiado com as expectativas.
E não é fisicamente. Nesse campo provavelmente estarei no meu pico de forma. Também não é stress. Nisso as coisas até andam bastante apaziguadas. É outra coisa. Estou cansado e farto.
Ainda sobre o Seven Pounds. Foi, até agora, o único filme que vi em 2009. Literalmente, ponto final, parágrafo. Eu havia afirmado que era o melhor filme que tinha visto este ano. Sem querer isto está-se a tornar numa verdade categórica. Não tenho ido ao cinema, o que me deixa de certa forma desapontado mesmo não tendo motivação para ir, por razões que meia-dúzia de pessoas conhecem, embora não sejam segredo para ninguém. Não tenho alugado filmes para ver, o que é irónico porque ultimamente tenho passado muitas horinhas num lugar que é metade clube de vídeo. Não tenho visto televisão, o que é certamente uma boa notícia no sentido em que, não tendo acesso aos setenta e sete milhões de canais culturalmente diversificados, também não tenho que aturar a podridão dos quatro (vá, três) canais em sinal aberto.
Resumindo, ando cortado de tudo o que seja filmes. Grandes películas me têm passado ao lado, dizem uns. Grandes momentos de companhia me têm passado ao lado, dizem outros. Grande cortes estou a ser, me dizem “ainda” outros (aqui fica um piscar de olhos especial). E eu cá estou. Ironicamente, numa altura em que o meu banco colocou ao meu dispor um daqueles cartões de crédito que até oferecem um bilhete na compra de outro. Cá estou. Sem ver filmes. Fiz uma pausa, acidental, é certo, mas que surtiu efeito. Parou tudo. Tudo por causa daquele turbilhão de ideias contraditórias.
Alguém me quer dar um abanão?

Por Samuel Úria, em conversas instantâneas em grupo, via messenger, há coisa de um ano. Eu acabava de anunciar que me ia retirar. Um pedido que mais parece a cara chapada do Tiago Guillul.
Ontem preguei uma partida a uma amiga. Là para o meio da tarde anunciei-lhe que algo intensamente desejado tinha acabado por acontecer. A reacção imediata, diz-me ela, foi tentar despachar os clientes o mais depressa possível para vir pôr as notícias em dia, adiantando ainda que lançar assim bombas para o ar enquanto uma pessoa está a trabalhar… não se faz. Eu sempre fui alto, duro e com nariz desajeitado, mas desta vez o rótulo de Pinocchio acentou-me bem: esta mentira era demasiado óbvia e o nariz denunciou-me logo. Ambos ficámos com pena que não fosse verdade.
