Começo o ano sem grandes ambições.
Uma amizade recente, a dar os primeiros passos, tal qual um bebé. Seria de esperar que por estes dias, mais intensos, mais popularmente dedicados à intimidade familiar, o contacto fosse menor. Seria de esperar que indo celebrar estes dias para um país diferente, o contacto fosse ainda menor. Seria de esperar que sendo uma amizade ainda fresca, o contacto fosse nulo. Por estes dias, entenda-se. Mas o Natal proporciona destas magias. Terei seguramente partilhado mais, nesta quadra, com esta nova amizade do que com qualquer outra pessoa. Por esta hora já não é dia de Natal, mas ontem, quando ainda era, muitos foram os temas que se encarregaram de dar vida ao nosso diálogo. Assim, sem grandes complexos, medos ou inibições. Muito genuinamente ainda não sei se posso afirmar com convicção que já se trata de uma nova amizade. Com toda a responsabilidade, peso e intensidade que esse termo e essa condição envolvem. Obviamente quero crer e desejar que sim.
Se me lês, aí ainda no meio desse frio montanhoso e de algum papel de embrulho porventura ainda não despachado, fica sabendo que tem sido muito agradável.
Passou, ou está praticamente a passar, o Natal 2008. E virou o disco e tocou o mesmo: prevaleceu o Natal consumista, inventado sabe-se lá quando e impulsionado sabe-se lá também quando pelo pai Natal, também ele inventado sabe-se lá quando pelos senhores da Coca-Cola. Escrevo isto e ainda é dia 25 de Dezembro, mas o espírito de Natal já se pôs a milhas, por assim dizer, se é que alguma vez esteve presente no coração das pessoas. Jesus deu toda a atenção do mundo… ao mundo, e hoje, que faz anos, poucos são os que Lhe deram alguma atenção.
Falando do consumismo… em anos anteriores foi hábito gastar alguns euros em mensagens (principalmente mensagens) a desejar um Feliz Natal cheio de coisas boas, tais como prendas, saúde, paz, união e amor, a boa parte da lista de contactos. Aos familiares, aos bons amigos, aos conhecidos, aos contactos… Este ano a mudança foi radical, rumo a uma festividade menos consumista. É verdade que ontem e hoje ainda recebi algumas mensagens cheias de doçura natalícia. Verdade é que não respondi a ninguém nem sequer tomei a iniciativa de mandar a ninguém. Desejei Natal feliz às pessoas com quem estive pessoalmente, e pela instantaneadade da Internet a algumas pessoas geograficamente distantes com quem troquei conversa nesta quadra.
E como dizia o meu primo: “Que o pai Natal vos envie muitos SMS, que da minha parte não levais nada!”
Irei desejar, aí sim, boas entradas para o ano que se avizinha.
Mais de um ano depois, volto a chorar com a saudade provocada. Não que não tenha havido momentos tristes, cheios de lágrimas e de saudade pelo meio. Mas hoje, assim, o destino levou-me a reler o que o meu primo havia escrito há vários meses. Invariavelmente o destino levou-me a soltar lágrimas pela intensa narrativa que ele fez. Naturalmente, percebi que não há mal nenhum em chorar mais vezes um vazio tão grande que se há criado.
À homem seria termos um Oceano Pacífico especial todo ele dedicado ao Johnny Cash e ao Tom Waits. Isso sim, seria das melhores ideias que a rádio alguma vez teria tido.
A vida tem destas inevitabilidades que forçosamente me aparecem à frente e eu vou deixar-vos aqui um breve resumo daquilo que a minha cabeça vai pensando sobre a música actual: A voz, entoação e timbre do Jorge Palma irritam-me. Aquela música dos “Classificados” que anda a passar setecentas vezes ao dia na rádio irrita-me. Acima de tudo irrita-me aquela que já foi durante um tempo uma das músicas do momento para mim. É isso mesmo. Brandy Carlile e a sua “Story” irritam-me.
Obrigado pelo tempo de antena concedido. Por falar em tempo de antena, ouvi dizer que a Antena 3 vai dedicar uns tempinhos ao Samuel Úria. Ao grande Samuel Úria. Acho bem, sinceramente acho bem.

