Sessão da meia-noite de quarta-feira. Era unânime desde a semana passada: hoje iríamos ver Hancock, o novo Will Smith. O grupo alargou-se e não tivemos direito à distribuição de lugares habitual, devido ao formato da sala, nem ao sossego habitual, devido às cinco ou seis pessoas que nos fizeram companhia. Não faz mal.
Já se sabia: Will Smith é um super-herói. O oposto de todos os super-heróis a que estamos habituados, ainda assim. Associal, bêbado e arrogante. Bela composição, não acham? Bem ou mal lá encontra as pessoas certas que o ajudam (deveria falar no singular, mas pronto) a tornar-se mais popular.
Will Smith apresenta a classe habitual e Charlize Theron aparece deslumbrante. Eu francamente estava à espera de mais. Ou de menos, aliás. Dizia-se que este já tinha sido qualificado, nos Estados Unidos, de “filme do Verão” e dizia-se também que este super-herói não tinha nada a ver com os super-heróis que conhecemos. É verdade… Mas ninguém me avisou que faz exactamente o mesmo que o Super-Homem. O que eu queria era um super-herói mais discreto. Há um ingrediente que eu lhe tirava, mas não posso falar dele aqui senão estrago a surpresa a quem ainda quer ir ao cinema ver Hancock.
Para concluir, deixo-vos um ditado. Diz-se que “por detrás de cada homem está uma mulher” e este filme faz-lhe completamente jus. Os que viram entendem-me. Na próxima semana os premiados deverão ser a Angelina Jolie e o Morgan Freeman (”Wanted”).
Não é que o filme tenha sido mau. Uma espécie de épico passado em 1642 onde um pintor contratado evidencia as malvadezes praticadas por uma determinada franja da sociedade através de uma pintura subtilmente denunciadora. A questão é que o filme durou cento e quarenta minutos e poucas foram as cenas de animação. Alguma violência, muita depravação, muita linguagem obscena e até nudez. Podia ser interessante retirar algumas ilações de Nightwatching, mas seguramente não numa sessão da meia-noite. Dos cinco, dois passaram pelas brasas por um bocado.