Mai 30

A carreira de basquetebolista ainda tentou sorrir-lhe quando a adolescência se aproximava a passos largos. Já naquele tempo era mais alto que os outros e essa condição poderia ser um bónus para alcançar os cestos. Depois de se matricular no desporto, mais por influência dos amigos, diga-se, começou a separar dois finais de tarde por semana para ir treinar no pavilhão. Pés nos pedais, bola entre as pernas e lá ia ele! Passado um mês iria participar no seu primeiro torneio. Cidade vizinha, Sábado animado. A sua equipa acabaria em penúltimo lugar e a única recordação que lhe resta é uma t-shirt verde que ainda hoje veste com muito gosto, embora seja só para dormir. Isto era inevitável, visto que ao único jogador alto da equipa, que era ele, faltava qualidade. Meteu-se o Verão, na rentrée os amigos da onça mudaram para o futebol e ele nunca mais pisou um campo de basket. Mas hoje pode sempre orgulhar-se de ter sido um federado.

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Mai 30

Curiosamente o primeiro filme que me vem à memória nem sequer é um sucesso de bilheteira, mas sim um daqueles chamados “tele-filmes”. Saiu em 1990 e passou em dois episódios algures na primeira metade da década de 90. Posso afirmar sem qualquer reserva que foi o filme que mais me acagaçou até hoje. É compreensível por se saber que eu ainda era um jovem moço e também porque quem escreveu a história foi o senhor Stephen King. Admirados? Eu não. A história hoje passa-me ao lado, mas o detalhe permaneceu para sempre. O palhaço maquiavélico (”Pennywise the Dancing Clown”, imagem aqui) que assassinava crianças e marcava a sua presença com sangue. Alguém se lembra? “It” foi definitivamente um dos filmes que fizeram a minha infância.

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Mai 30

Os vários livros que passaram a ocupar os meus pedacinhos de tempo livre tiverem destinos diferentes. Sorte a deles. O livro que me foi oferecido − “Basta!”continua na mesinha à espera de uma oportunidade para ser lido, dado que como já referi, parece-me demasiado ousado aventurar-me em duas leituras ao mesmo tempo. O que tinha começado a ler − “O Sétimo Selo” − já vai quase no fim e, apesar da história ter chegado a um ponto de algum suspense, o livro em si desiludiu. Os problemas sócio-económicos são bem abordados, as catástrofes ambientais também (incrível detalhe), mas prometia mais. Faltam meia-dúzia de capítulos para chegar ao fim, diria. Já aquele que eu tanto aguardava − “O Deus de Dawkins” − foi emprestado há coisa de dois meses e ainda estou para o ver. Tenho vontade de começar a cobrar, é o que é.

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Mai 29

Things We Lost in the FireNoite de quarta-feira, já sabem. Sessão da meia-noite e tal. “Tudo o que Perdemos” foi o filme escolhido. Com Halle Barry, David Duchovny e Benicio Del Toro. Aparentemente poderíamos pensar que a amizade que um homem tem por outro pode ser controversa e colocar barreiras no seio familiar. Aparentemente poderíamos pensar que a morte dum pai significa o fim de uma família. No entanto, não só a família consegue bem ou mal recompor-se, como também o melhor amigo, toxicodependente e inicialmente odiado, pode contribuir de forma espantosamente humilde para isso. Nunca com o intuito de substituir o pai. O melhor amigo, aliás. O título no original − Things We Lost in the Fire − reflecte bem melhor tudo aquilo que uma família perdeu num piscar de olhos, mesmo sem fogo.

O grupo que ia ao cinema hoje dividiu-se. Uns preferiram ir ver aquela caldeirada fraca com o Jackie Chan e o Jet Li. Tentaram convencer-nos mas três de nós mantiveram-se fieis ao cinema de qualidade. Apetece-me dizer… tudo o que eles perderam!

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Mai 28

E da selecção da Smashing Magazine, eu destaco Antiphrasis pela escolha de cores, Lucy Blackmore Artist pela perfeita integração e identificação com a sua arte, Narfstuff pela qualidade dos acabamentos, Vectips pela simplicidade e Nimbupani Designs pelo estilo “brinquedo”. O que na minha opinião une esta malta toda é a busca pela perfeição e a vontade em não deixar nenhum detalhe ao acaso.

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Mai 28

Parar no tempo e contemplar aquilo que nos tem andado a passar ao lado é revigorante. É saudavelmente necessário para conseguir retirar todas as pequeninas pedras que se colocam sorrateiramente no nosso sapato. Se precisamos de um lugarzinho para poder respirar o ar puro que vai dar força ao nossos pulmões, que esse espaço possa ser contemplado a seu justo valor. O tempo que for preciso e da maneira que quisermos. Se estás a precisar de uma pausa, para poderes viver aquilo que tens deixado “em pausa”, então que essa pausa tenha uma vista para o jardim… Sempre certa e segura de que o teu mundo te valoriza. E és um orgulho para mim.

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Mai 27

O conceituadíssimo Smashing Magazine publicou recentemente uma lista de 50 excelentes designs de blogues. Uma selecção de obras de arte que conseguem transpor visualmente a personalidade dos seus autores, onde creio que se insere boa parte da nata artística da Internet “diária”.

» Now More Than Ever: 50 More Excellent Blog Designs

Escolha de alto requinte da qual eu não me importaria de fazer parte, como é óbvio. Há que lutar mais.

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Mai 26

Não passa pela cabeça de ninguém fornecerem apenas uma ementa para uma mesa de onze pessoas esfomeadas e estando a cerca de uma hora dum concerto importante. Também é verdade que não passa pela cabeça de ninguém um cão poder conviver livre e alegremente no restaurante, vagueando por entre mesas e clientes. E no entanto foi tudo isso que aconteceu.

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Mai 26

Multiplicam-se as receitas e multiplica-se o impacto, perde-se o duplo sentido e a visão periférica. As bandeiras nacionais patrocinadas pela companhia de comunicações móveis estatal têm tudo menos autenticidade. Querem aplicar o conceito “vintage” dos LPs de vinyl a coisas que não têm associação possível. Nunca um Lado B encaixou tão mal com o Lado A.

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Mai 26

A defeito de não servirem para tardes de pesca nem para natação livremente limpa, há sítios (leia-se praias fluviais) que eram bem capazes de permitir uns baptismos de belo efeito. Sujam-se as águas e limpam-se os corações. A aceitação do Mestre não tem forçosamente de passar por mergulhos subaquáticos, mas se Jesus foi baptizado no rio Jordão, porque não aproveitar as paisagens pitorescas que se poderiam assemelhar a um Jardim do Éden dos tempos modernos e fazer uma descida às águas ecológica?

Não sei não, mas acho que o desafio é segui-Lo.

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