Não sei se terão sido os ares do meu pequeno paraíso terreno. Não sei se terão sido os amigos lá (re)encontrados. Não sei se terão sido as longas conversas que tive com pessoas que me são queridas. Não sei se terá sido pelas palavras geladas que ouvi expressamente de quem não pensava ouvir. Não sei se terá sido pelas palavras que alguém ficou por dizer. Não sei se terá sido por cansaço. Por desinteresse. Por falta de pachorra. Por vontade de olhar para coisas novas. Arrisco a dizer que foi seguramente porque Deus quis levar-me por outro caminho. Não sei se terá sido por tudo isto, mas estou oficialmente liberto, curado, aliviado. Não estava para isto.
Para que pudesse ser feita vingança sobre os seis-três de há uns anos. Um bocadinho assim. Mas fico satisfeito e não peço mais.
Não podia deixar de destacar algo que me apraz particularmente, e por isso lhe dedico um post exclusivo. No Palácio do Gelo abriu também a FNAC Viseu. É a segunda maior do país. Ontem, na inauguração estavam lá a tocar ao vivo os Rádio Macau e eu não pude deixar de esboçar um sorriso ao imaginar que estava à vista que iria falar disso aqui. Continuam a ser medíocres e não é o facto de actuarem ao vivo que lhes retira essa condição, mas adiante. A Fnac está muitíssimo bem servida e posso a partir de agora começar a escrever umas coisas à Tiago Cavaco quando diz que faz uns achados fantásticos na Fnac do Chiado ou na Fnac do Colombo. Agora é a vez da Fnac Viseu.
Foi inaugurado ontem o novo Palácio do Gelo. Tão falado, tão badalado, tantas especulações, tantos rumores, e eis que finalmente abre as portas. O terceiro maior shopping do país tem o selo da Visabeira e é apadrinhado pela Catarina Furtado. Ontem foi a inauguração e eu estive lá. Deste mastodonte comercial retenho várias coisas. Em primeiro lugar, o arquitectura exterior, embora dominante, não lhe faz justiça. O Palácio do Gelo, visto de dentro é amplo, é enorme, é gigantesco, é imponente. Faltam-me os adjectivos. Em segundo lugar, o facto de continuar a apostar na vertente do desporto e do bem-estar dá-lhe uma particularidade única e diferente dos restantes centros comerciais. Quatro piscinas e uma pista de gelo (rodeada dos restaurantes) são a prova disso. Em terceiro lugar, foco o Minus 5º que é, sem tirar nem pôr, um bar feito exclusivamente de gelo. Cadeiras, mesas, paredes, copos e garrafeiras são feitas de gelo directamente importado dos glaciares do Canadá. Numa única palavra: exclusivo. É único na Península Ibérica. Em quarto lugar, parece que o McDonald’s que lá abriu inaugurou a novíssima decoração da marca na Europa. Em quinto lugar, o repuxo interior. Um repuxo que se estende por todo o comprimento do edifício, no átrio principal, e que regularmente manda jactos de água que se elevam até ao topo, no último andar. Enfim, só coisas boas que fazem deste novo Palácio do Gelo um empreendimento de primeira classe e de alto requinte. Gostei.
Um dia destes ainda vou ter a coragem suficiente para deixar que a minha capilosidade facial assuma a virilidade que definia os tempos de Jesus Cristo e as gentes daquela altura. Regularmente a minha cara vai escurecendo de forma a apresentar esses dignos níveis de excelência visual, sem no entanto os conseguir manter. A minha actividade profissional não me concede demasiados artífices por muito tempo.
Se há coisa que eu sempre quis, foi ter o poder de regressar ao passado. Por essa razão todas as histórias ou filmes que envolviam viagem no tempo fascinavam-me. Agrada-me a ideia de poder voltar a passear pela cidade tal qual era há dez anos atrás, sem forçosamente interagir com ela. Apenas fazendo parte da plateia, ficando calado e de olhos bem abertos a apreciar o que se iria passando. O simples facto de poder relembrar uma avenida antes de ser injustamente transformada por arquitectos modernos e pouco calorosos seduz-me. Há sempre a memória, mas a memória vai perdendo detalhes ao longo do tempo e aquilo que nos parecia óbvio ontem poderá já não o ser tanto amanhã. Gostava de poder regressar ao passado para reviver com mais intensidade os meus tempos de menino. Aqueles tempos que eu, volta meia volta, vou recordando através das preciosas fotografias que foram perdurando ao longo dos anos. Restam fotografias, restam memórias, mas foram-se os cheiros, os ambientes, as luzes, os contactos, os sentimentos. A vida. Foi-se tudo, ficando apenas um breve piscar de olhos àquilo que um dia já foi assim. Gostava de poder regressar ao passado para saborear novamente, desta vez com mais preciosismo, os laços que uniam a família. Um regresso para rever amigos de outrora. Gostava de poder regressar ao passado, no fundo, para voltar a viver. Sempre como espectador, para ter o cuidado de não mudar aquilo que sou hoje. Cada pequeno detalhe, cada pequeno acontecimento, cada pessoa e cada decisão tiveram influência e querer que isso mude seria renegar aquilo que sou, seria ofender quem conviveu comigo e seria ignorar aquilo que me moldou. Se pudesse regressar ao passado… ao passado recente, pedia a Deus que me concedesse mais umas temporadas junto de quem mais falta me faz agora, no presente.
Quero, definitivamente, regressar ao passado. A cada dia que passa, mais me apercebo de que este mundo não é o meu.
Seria inevitável a restrita lista de linques no topo desta página viver feliz para sempre sem sofrer alterações e alguns acrescentos. Quis manter uma linha ’smooth’ mas chegou o momento.
O insólito Tira os Pés de Cima do Sofá é o novo refúgio de uma pessoa que nos últimos tempos fui aprendendo a guardar no meu coração. Ainda não percebi bem se o espaço vai servir para desabafos ou para risota mas fica o registo. O segundo pertence a alguém com quem o meu coração também aprendeu a simpatizar nos últimos tempos. É o Inquiri Quê. O terceiro, Espinho na Carne, é no fundo uma retribuição com laços familiares. São os relatos de alguém que tem pretensões de ser jornalista (cá para mim já é) e que escreve bem ‘pa caraças. É meu primo.
Sede bem-vindos.