Hoje foi um deles. Ontem também foi um deles. Digamos que não ando lá muito sortudo e tudo o que me pode acontecer, acontece mesmo. É a lei de Murphy no seu esplendor. Não me perguntem o que é que correu mal, iria levar demasiado tempo a explicar. Há pouco alguém despedia-se de mim desejando-me um bom dia para amanhã… um dia melhor que o de ontem. É isso. Muito pior não poderá ser, creio eu.
Duas letrinhas do início do abecedário têm feito as misérias da minha mente e do meu coração nos últimos tempos. São duas letrinhas que Alguém se encarregou de colocar no meu ouvido, só que agora, tanto ruído provocou-me uma otite. Já não consigo ouvir. São duas letrinhas que apesar de soarem muito bem ao ouvido quando pronunciadas suavemente, estão a bater na minha cabeça quais marteladas estridentes. Poderiam ser reforçadas com o marcador de tinta permanente, fosse essa a vontade, mas neste momento estão mais próximas de ser apagadas à borracha. Mas por agora ainda continuam cá. Alguém me arranja uma borracha?
Não conheço Colbie Caillat. Mas não gosto. Tudo isto por causa de uma música que anda a passar demasiadas vezes na rádio para o meu gosto. Uma música que me irrita pela sua mediocridade e pela voz demasiado banal. Uma música que eu soube agora ser da Colbie Caillat. ‘Bubbly’, pelo que dá para ver, é a música que me faz odiar musicalmente alguém que não conheço musicalmente.
Prestou um serviço, qual bom samaritano e quiseram dar-lhe uma prenda em jeito de agradecimento. Em jeito de agradecimento ele recusou ameaçando bater o pé. Recusou porque não é Natal. Recusou porque não faz anos. Recusou porque um acto de bondade não tem preço. O seu pedido de recusa não foi aceite, e ele vai continuar a lutar pela negação a que tem direito.
Numa conversa, interpretei o «tenho piolhos cá em casa!» de forma literal, quando se estavam apenas a referir a duas pobres criancinhas na flor da idade. Há dias em que eu me pergunto onde raio tenho a cabeça…
Alguém tem uma solução eficaz e sobretudo rápida para nos vermos livres de coisas e pessoas que teimam em não querer abandonar o nosso mais íntimo pensamento? Alguma solução mirabolante e miraculosa que nos faça virar a cabeça cento e oitenta graus e nos impeça de ver o que teima em estar à nossa frente? Algum tratamento de desintoxicação que nos faça expulsar qualquer desejo de convivência tal qual uma droga à qual estamos dependentes? No fundo, alguém capaz de me mostrar a porra do caminho para me desprender do que me tem prendido?
Pergunto-me até que ponto o telemóvel nos fez bem. Há dez anos que o telemóvel se democratizou, há dez anos que mudou as nossas vidas, a nossa percepção do tempo, as relações com os outros. Há dez anos que nos arruinámos, em cartões recarregáveis, em telemóveis renovados, contratos assinados, textos apaixonados, enfim… futilidades.
O que esperar de tal objecto? Mais amigos? Relações facilitadas? Um reforço dos laços familiares? Será apenas um reconforto por nos sentirmos constantemente ligados a uma rede, numa altura em que impera o individualismo e o medo em crescendo da solidão? E se for uma aquisição recente? E se foi recentemente posto de lado por já não se lhe encontrar utilidade? E se o telemóvel fosse apenas um meio para acrescermos a nossa produtividade para ainda mais crescimento e logicamente mais dependência? Quais são os usos e comportamentos assimilados ao telemóvel que consideramos intoleráveis? E para uma criança, qual seria a idade oportuna para lhe pôr um aparelho nas mãos? E finalmente, será que este objecto nos tornou mais… livres?
O telemóvel não será um meio para nos “sacar” entre trinta e sessenta notas por mês, encarregando-se ao mesmo tempo de cortar aos nossos relacionamentos sociais? Há coisas que antes eram mais facilmente feitas do que agora: antes não ligávamos, passávamos em casa do amigo. Agora ligamos, e forçosamente encontramos-nos pessoalmente com menos pessoas.
Mas por outro lado, se nos contentamos com as conversas telefónicas, será que andamos a perder alguma coisa? Será que os nossos relacionamentos não passam de farsas? Ou então conseguimos arranjar uma operadora com preços imbatíveis. E mesmo assim não é justificação.
Sou o único que acha que o telemóvel arruinou a nossa vida social e mesmo assim não conseguimos encará-lo de outra maneira a não ser uma dependência?
…é aquela que nos juram que não aconteceu. Quando está tudo igual, quando os costumes não mudam, quando o mesmo de sempre se repete, é sinal de que está tudo completamente diferente. Podem pensar que é um contra senso mas na realidade é apenas uma subtileza bem pautada.
Disse aqui há dias que estava mais perto do que nunca de adquirir a minha EOS 400D e passado pouco tempo tive que dar o dito por não dito devido a um percalço financeiro. Hoje, num jantar com uns amigos, tive a oportunidade de saciar um bocadinho a minha fome de fotografia ao usar a Nikon D40 de uma amiga. Esta impaciência e este desejo de andar por aí a fazer clichés fazem-me compreender na perfeição a minha querida amiga Bule de Chá quando diz que a sua nova aquisição a deixa feliz, feliz, feliz.