
Depois de prestado o serviço qual bom samaritano e em acto de bondade, foi-lhe dada uma prenda em jeito de agradecimento. Ele bem bateu o pé, bem recusou, bem amuou mas não houve como evitar. Hoje, uma prenda e quatro beijinhos esperavam-no. Recebeu um livro. “Basta!” de Don Cheadle e John Prendergast. Um livro que se preocupa com o acabar com o genocídio no Darfur. Vai ler, e provavelmente vai gostar. A sua luta pela negação terminou abruptamente sem que pudesse levantar a mão mais uma vez.
Duas letrinhas do iní… esperem lá! Qual abecedário? Quais letrinhas? O meu abecedário é composto por momentos felizes, imagens marcantes, amigos que tocam e palavras que se conjugam da forma mais certa para fazermos mais sentido. Hoje ofereceram-me (de verdade) uma borracha que, simbólica e ironicamente, limpou tudo o que havia para limpar. O meu abecedário está progressivamente a ser gravado na pedra, deixando para sempre o rasto daquilo que sou.
« Despeço-me do que mais quero só para não te ouvir dizer que as coisas vão mudar amanhã. »
De um momento para o outro libertei-me. Assim sem mais nem menos. Puf! Há momentos, gestos e palavras que têm o condão de nos dar carta branca para mudar de rumo. Ou por assim dizer, recorrendo à metáfora do título, dar-nos força para levantar a mota, depois do acidente, pôr-la novamente sobre rodas e seguir viagem como se nada fosse, apenas usando um bocadinho de álcool para desinfectar as feridas. Não sou motoqueiro mas a vida faz-me rasteiras de quando em vez e eu lá me espalho ao comprido no chão. Felizmente as forças continuam lá e bem ou mal, a mota põe-se novamente sobre rodas.
Já estou em viagem e vou a velocidade de cruzeiro.
Ultimamente tenho feito uma espécie de terapia. Nada de medicinal, nada de alternativo, nada de ’sobrenatural’. Uma coisa simples… um dia inteiro longe de casa, à beira do mar, no meio dos pinheiros, no meio dos amigos e sobretudo longe dos meus atormentos. Chegou a noite, regressei, e é verdade que não esqueci tudo. Mas a terapia está a ir bem. Na próxima semana volto lá.
Dizia um amigo hoje à tarde, a propósito das nossas partidas regulares de Poker que ainda não percebeu como é que eu não ganho aquilo tudo de cada vez. Tudo isto relacionado, claro está, com o famoso e fatídico ditado «Sorte no jogo, azar no amor». E francamente não deixa de ter razão… Face a isto acredito piamente que sou uma espécie em vias de extinção que nem tem sorte no jogo, nem no amor. Na parte do jogo não deixa de ser mau, biblicamente falando, apesar de jogarmos a feijões. Na parte do amor, só reforça aquilo que disse há dias sobre o Apóstolo Paulo.
Longe de casa. À beira do mar. Para rever amigos de quem sinto saudades. Para rever um espaço que tantas alegrias me dá. Tantos momentos de nostalgia e tantas sensações fortes. Um sábado inteirinho num paraíso terreno. No meio dos pinheiros. Um sábado inteiro para mudar de ares, pensar na vida, espairecer. Um sábado inteiro para te esquecer. Lá vou eu. Logo à noite regresso, e regressa também a minha rotina. Não terei esquecido nada, mas paciência…
Amy Winehouse. É outra que eu não posso ver à frente. As músicas até que são aceitáveis (as duas ou três que ouvi na rádio, pelo menos) mas a postura que ela assume faz-me detestá-la ao mais alto ponto. Drogas e álcool… só falta o sexo, não?
Lia hoje de manhã numa revista ou num jornal qualquer um artigo onde a mãe dela dizia que estava preparada para a ver morrer daqui a um ano, tal é o degredo da sua vida. Bem, eu não vou tão longe, porque não desejo a morte de ninguém, mas sou bem capaz de dizer que também estou preparado para ver as cordas vocais dela rebentarem de uma vez por todas e ver a imprensa cor-de-rosa mundial ser atacada por uma epidemia generalizada de Alzheimer, de modo a esquecermos por completo que Amy Winehouse existe.
Estou a ser cruel? Ai se estou… até parece que vocês não se lembram de um dos propósitos deste blogue.