…já estamos em 2010!
O assunto está nas bocas do mundo. Literalmente. Preocupa-me haver gente a falecer por causa do vírus H1N1. Ainda assim, não consigo deixar de pensar que estamos perante uma falácia de todo o tamanho. Eu até nem sou muito dado a teorias da conspiração. O homem foi mesmo à Lua, os aviões espatifaram-se mesmo contra as torres e morreram milhares de pessoas, o Elvis não está escondido numa ilha paradisíaca, e os extra-terrestres são tão reais como o a minha terceira orelha. E não duvido que há aí um vírus chamado H1N1, Gripe A, gripe suína ou seja lá o que for. Que deixa as pessoas amarradas à cama em quarentena. E que pode matar. As causas, os efeitos e as consequências estão aí e são reais. No entanto, o lobby criado à volta disto é impressionante. Há quem diga que há por aí gente com muito poder que faz deste vírus um cavalo de batalha para diminuir a população humana. Acredito que haja alguns lunáticos assim, mas que serão certamente uma minoria e sem grande relevância. Há quem diga por aí que quem quer lucrar com isto, não pela via mortífera, mas pela via financeira, são os laboratórios farmacêuticos. Aí já concordo mais. Seja através dos medicamentos prescritos para se proteger do vírus (Tamiflu a encabeçar), ou seja através da vacina que está aí para acabar com esses males. Não é teoria da conspiração dizer que os donos (ou os “donos”) da farmacêutica responsável têm ligações ao antigo governo Bush. E agora eu pergunto como é que isto tudo não é conveniente. Esta gente, seja lá quem for, e sejam lá quais forem os seus objectivos, está empenhada em lucrar com isso, e graças ao poder do medo (que num mundo idílico se poderia chamar de marketing agressivo) as pessoas são pouco a pouco convencidas de que estamos perante uma epidemia pandemónica. Convém é não esquecer que o vírus H1N1 foi descoberto há 9 anos no Vietname, com pouco mais de 100 mortes até agora; e a gripe dita normal e sazonal continua a matar milhares de pessoas todos os anos.
Estamos todos loucos ou somos todos idiotas? E thanks to who?
Fez no passado Sábado dois anos que partiste. Já. Parece que foi ontem, porque as saudades continuam cá.
Pois bem, tradição sendo tradição, o Grande Lápis Morto voltou a parar umas temporadas e agora que aqui estou novamente, faço assim uma espécie de resumo alargado com direito a zoom prolongado sobre as incidências de jogo e a comentários sempre, mas sempre, tendenciosos. Nada a que não vos tenha já habituado, para ser sincero.
Caminho para o quarto de século (sobre esse tópico falo mais abaixo) e francamente as coisas não estão para melhorar. Começam a aparecer cabelos brancos e rugas ainda ultra discretas, não retirando de mim, ainda assim, a extrema beleza e sex appeal com que o Senhor me agraciou. Estou a brincar, sou apenas muito bonito. Ora bem, dizia então que caminho para a velhice e dizia isto para clarificar que é possível que as falhas de memória provoquem equívocos temporais no que aos episódios deste blogue diz respeito. Dito por outras palavras: não me lembro de porra nenhuma que tenha acontecido antes de mandar este blogue pelo cano. Tentarei, ainda assim, ser fiel à História (com H grande, claro está).
Algures em Junho afirmava, talvez não aqui, mas afirmava, que o clube de vídeo que frequentava andava a fazer demasiado parte da minha vida. Eram muitas visitas e com motivos mais que óbvios. E não, não sou assim tão apreciador de cinema. Mas tal como a ferrugem corrompe, também coisas, sítios ou pessoas podem corromper-nos se nos expusermos demais. Era o que estava a acontecer, e era aqui que eu queria chegar. Este blogue fechou portas porque estava a tornar-se muito repetitivo, forasteiro e chato. Algures em Julho abandonava, felizmente, a regularidade religiosa das visitas ao clube de vídeo.
Desde que isto fechou aconteceram muitas coisas muito, pouco ou nada interessantes, consoante o conceito de “interesse” que cada um possa eventualmente ter. Relevante foi eu ter passado três meses a desenrascar trabalho num sítio que não me aprazia por aí além. O mais marcante desse período foi eu ter chegado à conclusão que a rádio é a coisa mais chata que pode haver. Nunca tantas músicas ditas “de Verão” estiveram tão perto de ser categoricamente censuradas pelo meu bom senso. A rádio apenas faz bem à saúde em doses diminutas, como o arroz e a batata frita.
O final de Agosto, já na recta final do meu calvário laboral e pouco antes das férias, trouxe à minha vida um respeito muito grande pelos senhores de idade (seja ela qual for, pá!) que têm AVC. Ou enfarte. Ou trombose. Ou treco. Pela graça do Pai não passei por nenhuma complicação de saúde mas senti na pele algo tão marcante que se tivesse tido um enfarte ali na hora, não seria de todo estranho. No finalzinho de Agosto passei portanto por uma fase emocionalmente muito carregada e que de certa forma me ajudou a encarar com mais boa disposição os últimos dias de trabalho maçudo. Ainda que tenha feito com que fosse todos os dias, ou quase, dormir tarde e a más horas. Na altura “havia males que vinham por bem”.
Meteram-se finalmente as férias e oh como eu gosto de Setembro! Setembro é a conjugação perfeita entre o calor e bom tempo do Verão com a ausência da multidão de imigrantes que teimam em fazer concentrações e tudo e mais alguma coisa na terra Pátria. Serviu para eu repousar e passear ainda em mangas de camisa. Serviu para fazer praia, embora em doses bastante reduzidas e desprovidas de sol. Serviu para me estrear em viagens metropolitanas e digo-vos sinceramente que amei sentar este belo corpo nas carruagens das linhas Amarelas e Verdes da capital. Tentei não cruzar olhares com muita gente para não correr o risco de me saírem rufias na rifa. Se bem que estive mais concentrado em cruzar olhares com uma pessoa em particular. Contas de outro rosário.
O Verão aproximou-se do fim e todos os que me conhecem, ou pelo menos todos os que me têm acompanhado, sabem o quanto eu falei sobre esse assunto e foquei a ideia de que o saudoso Verão se devia prolongar como que eternamente. Isso era um desejo imediato, provocado e influenciado por interesses muito pessoais e também imediatos, ainda resultantes dessa tal fase emocionalmente muito carregada. Mas como mais cedo ou mais tarde um gajo tem que deixar de ser menina e abrir os olhos, acolhi finalmente o Outono, de braçolas bem abertas, como se fosse um filho pródigo a regressar a casa. Honestamente a mudança de hora tem alguma culpa nisso, mas estava na altura de mudar. Aliás, cada vez mais fico com a nítida sensação de que a nossa vida, o nosso ano, é apenas o resultado de duas fases distintas: a primeira é vivermos metade do ano a desejar que venha o Verão e a praia. A segunda é vivermos a outra metade do ano a desejar que venha o Inverno, o Natal, as prendas e tudo o que há de consequente a isso. Não acham? Tudo o que é intermédio é relativamente relativo. Desculpem a redundância. Não ansiamos propriamente pelo Carnaval, nem pelo Dia Internacional da Árvore. Essas coisas vão acontecendo naturalmente, mas as Férias de Verão e as Férias do Natal são as “big things” que compõem a engrenagem que, mecanicamente, move a vida. Isto é bonito. Pode ser parvo, mas também é bonito.
Tudo para dizer que passei um excelente Verão, que teve a sua dose q.b. de emoções fortes, mas que acabou. Teve o seu fim e não volta mais. O Outono é também a época do ano em que, habitualmente, costumo fazer anos. Vá-se lá saber porquê, calha sempre na mesma altura. Este ano houve direito a festança rija, com direito a leitões no espeto e outras requintadas iguarias do nosso querido Portugal. Houve direito a família reunida, embora não toda, para que ficasse bem vincado e suficientemente claro que estou cada vez mais próximo da cova. No fundo, é isso que sucede todos os anos com cada um de nós. Há que não fazer caso, há que não fazer caso.
Esta tasca volta assim a reabrir, para dar largas a novos devaneios que irão provavelmente atravessar a minha mente, ainda que não me responsabilize pelas baboseiras que possam sair destes dedos. Se quiserem ler, força aí, sejam bem-vindos. Se não quiserem, por favor fechem a porta ao sair, que está frio lá fora.
P.S. – Apercebo-me que entre o início deste post e o fim, há uma grande disparidade que se explica pelo facto de ter começado a escrever em tempo laboral, algures na manhã de sexta-feira, e que por motivos também laborais vi-me forçado a pôr em “pausa”. Estamos na madrugada de Domingo, vim de um casamento onde fui convidado, fotógrafo e músico ao mesmo tempo, e só agora é que finalizo o documento. Francamente, não me peçam para que haja qualquer fio condutor, é pedir demais.

Há dias que definitivamente são especiais na nossa vida porque são especiais na vida dos nossos amigos. Hoje é o teu dia, querida amiga. Bênçãos muitas! Parabéns! =)
“Prémio Nobel da Literatura José Saramago é apanhado a cuspir para a fonte e a falar mal de Portugal, cruza-se com Maitê Proença que vai com uma Bíblia para Todos debaixo do braço. Debaixo de uma chuva torrencial, saúdam-se efusivamente e escarneiam dos portugueses protestantes.”



