Ela decidira finalmente fazer um piercing no umbigo e o que lhe doeu mais acabaram por ser os efeitos secundários: um par de estalos e ficar privada de consolas e saídas durante duas semanas. A idade pesou-lhe.
Esta semana devo dar uma escapadela a Água de Madeiros. Não é que vá lá encontrar alguém especial. Não. São outros factores que vão fazer desta escapadela um momento agradável. O sítio, e a praia, também, mas não só. E por aqui me fico.
Ainda vou colocar alguns créditos na Vanessa Fernandes, na Naide Gomes e no Nelson Évora, mas façam eles asneira e a nossa participação nos Jogos Olímpicos de Pequim estará transformada numa palhaçada. Merecida, no entanto. Ainda me hão-de explicar porque é que todos os nossos atletas olímpicos disseram convictamente e sem papas na língua que “estavam na melhor forma de sempre e prontos para grandes vitórias”.
Esta foi a minha boca de domingo à noite, patrocinada pelos comprimidos para a dor de cabeça.
O Verão está-me a sair furado e, vão por mim, isto não tem rigorosamente nada a ver com um eventual furo naquilo a que as pessoas chamam de estufa quando se fala da camada do ozono. Está-me a sair furado porque os projectos estão a ser alterados. No fundo, nada a que este país não esteja já habituado: mudanças de última hora.
Podemos associar músicas a pessoas sem que invariavelmente comecemos pensar nelas de cada vez que ouvimos a melodia?
Short version. Pelas dez da manhã meti-me no carro em direcção ao Peso da Régua. Pelo caminho, pequeno-almoço em Lamego. Depois da Régua o destino foi o Porto onde, inevitavelmente, comi uma francesinha acompanhada de um molho “picantíssimo” (Aniki, Congresso da Convenção, diz-te alguma coisa?) na Avenida da Boavista. Posterior visita à Casa da Música e passeio pela Ribeira antes de regressar. Pelo meio, desvio por Estarreja e Aveiro para ir dar um olá à praia e ir arranjar uns pastéis. Then, back to home. Home sweet home. Eram dez da noite.
Andava ele no quinto ano quando a turma fez uma viagem de estudo a uma cidade vizinha. Cinquenta quilómetros separavam-nos da capital olímpica helvética e o meio de locomoção mais a jeito era o comboio. Nessa sexta-feira a miudagem aprendeu, ou fez de contas, algumas coisas sobre a Mesopotâmia, o norte de África, a arqueologia e os primórdios da tecnologia actual. Museus de pedra para alunos não menos pedrados de sono e com a vivacidade de um calhau. Uma bela combinação que acabou por lhe proporcionar das piores médias de que se lembra na disciplina de História, porque nunca foi muito amigo do passado. Na ida a boa disposição ainda se estampava na cara deles, absorvidos pelas brincadeiras típicas daquela geração de imberbes. Os amigos haviam acabado de lançar o boato de que uma rapariga gostava dele. Não era boato, e os amigos desafiaram-no a entregar a sua chama à colega. Em boa verdade ele fartara-se de ouvir as piadolas de mau gosto e acabou por sucumbir. Entregou-se e estava oficialmente perante a sua primeira amizade mais que cor-de-rosa. Era namoro. Toda o dia de visita se fez acompanhar por um “lado a lado” nas caminhadas, e pouco mais. Nada de olhares cumplices nem palavras meigas. Sempre frio que nem uma pedra da Mesopotâmia. No regresso, a nova condição obrigara-o a sentar-se ao lado dela, muito embora o trajecto tenha decorrido debaixo de um silêncio arrebatador. Essa viagem de comboio poderia ter ditado uma alteração de estado civil no seu bilhete de identidade se porventura a coisa tivesse pegado. Não pegou mesmo e na segunda-feira seguinte anunciava à menina que rompia o namoro. Nem um único beijo havia existido. Nunca gostou dela. Apenas perdeu a paciência e calou os amigos.
Os sentimentos invadem-me e eu fico a olhar para eles. Até parece que tenho opção de escolha. Fico a olhar para eles a tentar perceber onde é que me estão a levar. Pouco a pouco vou deixando de oferecer resistência e gradualmente ofereço-me a este estado que se quer apoderar de mim. Quem é que tento enganar? Já se apoderou! Já percebi onde me querem levar e a resistência já era. Agora, é tudo uma questão de paciência. A paciência também é um sentimento e muitas vezes bem útil. Paciência porque à minha frente nada mais tenho senão um túnel quase integralmente vestido de preto e despido de luz. Quase integralmente. Há sempre uma pintinha lá no fundo que nos mostra o caminho a seguir. Difícil é ultrapassar os obstáculos e alcançar a meta. Na meta, esperam por nós mais sentimentos indiscretos.
Diz que é uma espécie de post filosófico para quem o quiser entender ©
Mano a mano medimos manias à maneira.
Murmuras modelo em madona
Mas tu beijas, tu beijas como uma freira.
Tiago Guillul





